quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Carta.


Disseram que há por aí uma carta. Esta carta teria sido escrita por mim. A carta teria sido endereçada ao ex marido de uma grande amiga minha. Essa grande amiga hoje não é mais amiga porque eu escrevi a carta ao ex marido dela contando tudo...

O que seria contar tudo? Isto me martela o cérebro diversas vezes: o que seria contar tudo?!

Ora, eu sou um homem completamente amoral. Não sei aquilatar o que seria não moral! Portanto tudo ficaria, então, uma coisa extensa demais para ser relatado em uma carta.

Presumo que o “tudo” deva ser o que não poderia ter sido feito, o que teria sido imoral...

Fico tonto com essas coisas. Chega a hora em que eu me pergunto se eu saberia separar uma coisa da outra. Juro que às vezes me penso um tanto ou quanto incapaz de compreender certas coisas.

Mas, voltando ao assunto da carta.

Disseram também que a carta é de tal maneira assim, como direi, comprometedora que a vida da amiga está por um fio e que o ex marido vai requerer a guarda do filho menor na justiça porque, pela carta, a mãe não teria a moral necessária para continuar cuidando da educação do filho... e tem mais, Senhores... é um de blá, blá, blá tão imenso que dá um certo comichão nas mãos.

Eu preciso. Preciso mesmo, preciso muito de um conselho sensato de alguém que seja virginiano ou mesmo aquariano. Estou às voltas com um dilema:

Chego à pessoa e peço a ela que mostre a carta para mim também? Essa tal carta que teria sido redigida e remetida por mim? Para que eu me assuste muito com o teor dela e me repreenda com o vigor de um pai severo e moralista?

Quando eu tive 15 anos (e isso já faz muito bom tempo!) houve uma amiga, a Heloisa França (que nunca mais tive notícias) que foi ímpar. Foi uma das pessoas que mais impressionaram a minha vida.

Helô era amiga de uma moça muito bonita, muito loira e muito cadeiruda que tinha uma namorada (isso era um assombro naquele tempo, mais ainda em cidade pequena do interior de Goiás!). A namorada da moça começou a ficar com muito ciúme da amizade da moça cadeiruda e loira com a Heloísa e decidiu dar um basta naquilo e proibiu a moça bonita de andar com a minha amiga. Coisas normais entre os gays e lésbicas. Acontece que a moça loira e bonita não teve a coragem de dizer a verdade para a Heloísa e preferiu dizer a todo mundo que tinha “ficado de mal” com ela, porque ela, a Heloísa, tinha riscado um disco dela (long play, bolachão da época).

A Heloísa, moça também com incapacidades de compreender coisas desse naipe, como eu, ficou intrigada como teria ela riscado o disco da amiga.

Um dia, acordou bem cedo e foi á casa vizinha onde morava a moça do disco riscado, sem avisar nada. Quando a moça abriu a porta, assustou-se com a presença, em carne e osso da Heloísa que, aproveitando o susto da moça, disse de chofre: você poderia me deixar ver aquele disco que eu risquei?

A moça, sem outra chance, não conseguiu dar uma desculpa qualquer, entrou, pegou o disco e o trouxe e o entregou na mão da Heloísa.

O que fez a Heloísa?

Pegou aquele disco com o cuidado de quem olhava uma coisa com lupa. Olhou. Olhou do outro lado e viu que não havia naquele disco nenhum riscado.

Tirou do seu bolso um compasso com ponta de aço bem fininha e, olhando o disco ainda com o mesmo cuidado de lupa, riscou-o de ponta a ponta (se é que posso dizer que um disco tem pontas...)

Entregou o disco à moça que agora, além de loira, linda e cadeiruda era também uma moça assustada e disse serenamente: agora você pode dizer que eu risquei o seu disco.

Será que eu devo também escrever uma carta e remetê-la?

5 comentários:

  1. Escreve! Escreve!
    (meus planetas em Virgem e minha Lua em Aquário é que estão dizendo!)

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  2. ce quer ver o mundo pegar fogo, né, boy?
    safadinho! risos

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  3. hehehehehehehehe
    é verdade! eu li o comentário e não sei porque eu o li como se fosse de outra pessoa!
    escrevo nada, bobinha! nem o autor da mentira da carta que não esistiu; muito menos o destinatário da carta merecem que eu mova meus dedinhos... é uma coisinha tão miúda... tão interior de goiás que nem rola!
    beijo

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  4. a pessoa digitou esistir como existir... nem é por ignorância... apenas os dedinhos que estavam mostrando a sua preguiça, tá?
    eutiamo

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