quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Poema XX

beijo a tua face
molhada pelo meu pranto
beijo as tuas mãos feridas
pelos meus dentes
abraço teu pescoço cortado
pelas minhas unhas
punhais de aço incolor
bebo na tua boca
as palavras amargas que desferi
e como todas as tuas carnes
com meus dentes moles
podres de tanto amor.
doença negra
cruz de mortos
que atravessam meus caminhos
aranhas
tecedeiras
de redes nervuras finas
nervosas linhas
que te arrancam da paz.
sugo teu sangue de pomba
bebo gota a gota o suor que te fiz suar
suor de dor
suor de doar
eu mago louco do meu abismo
cães me mordam e não soprem minhas feridas.
vem eremita
vem temperança
envia-me a morte
aroma doce
para que eu não rasgue mais com meus dentes
a paz deste sacerdote
anjo guardião dos meus infernos.
Vem raio divino e derruba esta torre torta
mata-me e não deixes renascer.
Põe em cima o sal.

Um comentário:

  1. Pensei até num tarot de dor do amor com esse poema, ficaria lindo!

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