quarta-feira, 31 de março de 2010

Mão esquerda para mão direita. Do baixo para o alto


Lilith – o princípio da Vida que permanece em mim, me instruiu o perfeito conhecimento e controle do meu divino vital.

Da esquerda para a direita e do baixo para o alto. Saturno espelhado ou Júpiter invertido.

A direita, de luz, só passará a ser conhecida se eu tiver caminhado desde o princípio que se origina na sombra. É imprescindível que seja assim. Não posso realizar a luz se eu não tiver vindo da escuridão. E é mais imprescindível que eu tenha o absoluto conhecimento do escuro... antes disso, que eu não me iluda como fazem todos os pretensos e tanto abundantes mestres e sacerdotes, é Vida perdida.

Depois da caminhada da esquerda para a direita é necessário que eu desça ao submundo. Que eu perceba-o, adentre-o, alimente-me dele e, quando prenhe das forças do baixo, encaminhe-me para o alto.

No centro, ponto zero dos cruzamentos, devo encontrar o fulcro, para que eu me aperceba e apreenda a perfeita combinação de práticas versus vivências. Ponto onde habita a Vontade.

Conhecendo a vontade eu posso transitar em qualquer direção, de qualquer ponto a qualquer ponto e apropriar-me da consciência de Potestade, eis que cada ponto é conhecido meu.

No mais, habitar esse quadrilátero de 5 pontos ou dar-me o direito de procurar e o poder de encontrar, quem sabe, as medianas desse quadrilátero... ou as alturas dele, as bissetrizes... o infinito deixa de ser o limite para a minha expansão...

Vejam bem: eu não disse “evolução”. Eu disse “expansão”!

A estupidez religiosa


"
  • Om fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses. O sofrimento do reino dos deuses surge da previsão da própria queda do reino dos deuses (isto é, de morrerem e renascerem em reinos inferiores). Este sofrimento vem do orgulho.
  • Ma fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses guerreiros (sânsc. asuras). O sofrimento dos asuras é a briga constante. Este sofrimento vem da inveja.
  • Ni fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino humano. O sofrimento dos humanos é o nascimento, a doença, a velhice e a morte. Este sofrimento vem do desejo.
  • Pad fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino animal. O sofrimento dos animais é o da estupidez, da rapina de um sobre o outro, de ser morto pelos homens para obterem carne, peles, etc; e de ser morto pelas feras por dever. Este sofrimento vem da ignorância.
  • Me fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos fantasmas famintos (sânsc. pretas). O sofrimento dos fantasmas famintos é o da fome e o da sede. Este sofrimento vem da ganância.
  • Hum fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino do inferno. O sofrimento dos infernos é o calor e o frio. Este sofrimento vem da raiva ou do ódio."

18 vezes a repetição da palavra sofrimento.
6 vezes a repetição da frase "fecha a porta"
6 períodos carregados com a negatividade dos vocábulos e expressões queda, reinos inferiores, briga constante, inveja, doença, velhice, morte, estupidez, ignorância, fome, sede, inferno, raiva, ódio...
Nenhuma vez o vocábulo Vida. Nenhuma vez o vocábulo Alegria. Nenhuma vez o vocábulo Adequação. Nenhuma vez o vocábulo Pertinência... nenhuma vez o vocábulo PRAZER!

E esse mantra é entoado em devoção ao Dalai Lama!!

Isto me remete à minha mãe, no meu tempo de menino mijão, lá em Barbacena, que, muito atarefada sempre, para que nós, os filhos, não saíssemos de perto da guarda da sua visão, dizia-nos: Menino! não vai lá fora porque o bicho te pega e te come...
E nós, com um medo absurdo do "bicho que pega e come", mantínhamo-nos junto dela, com uma infinita impressão que, sob a sua proteção e sem nos afastarmos da sua guarda, jamais o bicho nos pegaria... mesmo que ali, ao lado dela, a coisa fosse enfadonha e entediante... sem nenhum prazer.
O prazer era pouco, mas a crença na proteção, de alguma forma tornava a coisa confortável.
E entoávamos mantras de devoção a ela.

Valha-me, Lilith! como a esperteza de uns poucos controla quase todo um mundo e ainda recebem dele, cânticos de devoção!



O encanto de ser, simultaneamente, chumbo e ouro


Eu gosto das minhas oscilações e minha incessante mutabilidade, Senhores!

E mais, se me perguntarem se eu não me envergonho delas, talvez eu responda, candidamente, não. Pelo contrário, eu me orgulho!

Há bem pouco tempo, eu me dizia um homem de extremos. Hoje eu me digo, sim, de extremos ainda, mas com a grande habilidade de passear em cada centímetro que ponteia todo o espaço entre um e outro extremo.

Gosto disso. Dá-me um senso de plenitude e poder de compreensão. Perdôo e perdôo-me, sempre. Sem o perdoar a mim, não saberia perdoar a outrem. Acuso e acuso-me, da mesmíssima forma.

Ainda ontem eu estava fremente de desejo de ver o mundo pegar fogo. Talvez, certo, eu me incendiasse dentro do incêndio dele (de que importa isso, se o mundo não puder me aturdir – com fogo ou com água ou coisas quaisquer?).

Cansado estava das miudezas mordazes, das falações sussurradas, da algaravia de comentários sibilados, morcegos no sótão coletivo dos acovardados, carregando o enorme peso dos seus medos de si mesmos.

Pensei, eu xiita de uns valores muito próprios, a beleza histórica da derrelição das torres gêmeas de cada um desses portentosos fracos:

Que belo seria pôr, em confronto provocado, todos nós: aquele moço e aquela sacerdotisa – a dos laços de juramento... aquela outra também! Aquele, o qual se acusa de apropriação indébita de ofício religioso... eu mesmo, que ainda ontem era o discípulo honrado e hoje vagueio na vala dos execrados.

Eu diria, inflamado: eis que é chegada a hora e, nessa hora, teríamos a oportunidade de perguntar a nós mesmos e, de todos esperar a mais honrada resposta,

É hora da sublimação da honra de todos os preceitos. É hora de verificar se os nossos preceitos de honra, são os mesmos preceitos da honra dos deuses. Demo-nos esta magnífica oportunidade.

Afortunadamente o sono me dominou e fui para a cama onde uns sonhos me possuíram. Afortunadamente digo, não pela destruição que foi evitada, mas pela oportunidade que tive de vagar, nau diuturna, entre as gradações do mesmo princípio de criação e destruição. Marte já velho que preferiu descansar entre uma e outra coisa.

Hoje estou apaziguado. Eu vi a Lua e entendi a extensão de todos os perdões que me posso dar e que posso ofertar. Há nos céus astro mais volátil e mais mutante? Fruição mais instável?

De certo que não!

No entanto, só encantos... não há quem não se deixe levar pelo fascínio dela, que dura muito menos do que poucas horas, dentro de uma única noite... e vai. Nau noturna.

De quando a honestidade é o crime.

Eu traí. Eu menti. Eu enredei. Eu obstruí. Eu dissimulei. E confessei. - Confissão espontânea, jamais esperada, pois de crimes jamais sabidos.

Ando, agora, no banco dos acusados, em julgamento solene. Naturalíssimo, conforme a Lei.

À esquerda, minha defesa, a Honestidade. À frente, o Juiz, sempiterno impoluto, sob a mão de Deus zeloso e criador, que vinga a iniquidade.

À direita, o Promotor. Justo à minha frente, dedo em riste, a Vítima.

Lei humana, Lei divina: traí, imediato, devo sofrer julgamento – condenação ou indulto.

O Juiz, impoluto e religioso, sob a égide de deuses, empunha na mão esquerda uma cruz e na direita, a máscara e é, ao mesmo tempo, minha vítima e o promotor.

Sei que me perguntarão o que é a máscara. Devo recordar-lhes, Senhores, que o acusado só pode falar se autorizado. Sugiro que perguntem a ele, o Juiz, o que significa essa, dele, máscara... não me cabe explicá-la. Eu não a tenho, Senhores. Somente a vejo.

Olho-me e olho rogativo à minha defesa. A honestidade da confissão espontânea (ao contrário do meu atual Juiz, outrora criminoso contra mim, que só confessou sob tortura) é, em si, ato de coragem ou ato de subversão?.

Rogo a mim, aos meus deuses e ao Tribunal a sublimação do ato viril e corajoso da confissão e auto-exposição ao julgamento e, caso condenado, à execração pública. Não encontro eco.

Alguém no tribunal me diz, enfaticamente:

- Jamais confessasse, senil! Entortasse, distorcesse, escondesse, ocultasse, mas jamais confessasse!. O não provado confirma in dubio, pro reo!

Eu me pergunto, de chofre, de dentro dos meus intestinos, sob essa dor da obrigação de esconder a culpa, para não ser declarado culpado! Se eu não houvesse confessado, ainda seria fiel depositário de confiança, mesmo não sendo, lato sensu, confiável?

Raios me atravessam a alma libertária e indomesticável, que grita fundo, no silêncio obrigatório, interpelando a todos os juízes universais do tempo e da história, dos céus e dos infernos que, se não reconhecido o crime, ele é, automaticamente, inexistente? Que os juízes – mesmo quando vítimas do crime – e não cônscios dos desvios do criminoso, continuarão acreditando, defendendo-o e ainda acusando de caluniadores os que apontam na direção desse criminoso – como fez o meu próprio juiz há bem pouco tempo?

Estão querendo afirmar à minha alma que, caso eu não tivesse confessado espontaneamente minhas traições ao traído, ainda hoje, esse traído defenderia veementemente a minha honestidade, sendo que, de fato, ela não existiu até o momento da confissão da minha desonestidade?

Querem que eu enlouqueça do modo mais cruel?! A loucura que foge da realidade?

Essa loucura não me pertence, Senhores! Eu sou a loucura da lucidez – mesmo aquela que crava fundo no meu peito e o rasga, ensandecida, mas não a outra. A essa que me propõem, eu prefiro o desmonte.

É quando os demônios da sapiência se aproximam, sorrateiros, de mim e me sopram perguntas ameaçadoras:

Teria o Juiz a coragem de confessar os seus crimes, semelhante ao que procedeu o acusado? Ou insistiria o impoluto e religioso Juiz dizendo-se jamais ter-se valido de crimes para a sua existência ordinária?

Entre os demônios sorrateiros, eis que vem Lúcifer, no mais vigoroso brilho que pode ter e me diz, sereno e vingativo:

- O juiz, qualquer juiz, só poderá exercer um julgamento se, alhures e algures tiver, de alguma forma, vivenciado experiência idêntica àquela a qual está julgando, na pele de sujeito do julgamento. Caso não e, ainda assim, se atreva, não é juiz. É mero sentenciador.

Ave, Lúcifer!

Como convém...


Hoje a Lua se fez linda como nunca para esperar o Bill Berry chegar!

Vestiu-se com todos os pratas que arregimentou no céu e todos os vestidos de nuvem branca; lânguida e imponente, apareceu fulgurante.

Recebeu o Bill com o olhar suave das grandes mulheres e cercou-o de mimos e atenções, apresentando-o a cada membro da realeza...

E, como convém a uma grande senhora, na hora certa, recolheu-se à devida e adequada discrição, permitindo que o convidado da noite atuasse no seu brilho próprio. Fulcro das atenções.

Velou-se, então, na sua grandeza e, majestosamente, permaneceu na sala do céu, com poucas falas, sorriso discreto e maneiras nobres... como convém a toda verdadeira Rainha. Divina e misteriosa, sorria, sorria e quedava silenciosa. Até o fim da noite, quando, Rainha e Divina, presenteou-o com uma adorável surpresa de prazeres e encantos, enviada pela sua prima Vênus.

E o Bill Berry, em frutos e bagas, recatado em esperanças e volúpias, como convém a qualquer nobre, foi.

Eu, convidado da Lua, em êxtases e assombros, encontrei a hora de me ir. Levantei-me, elegante como convém a todo Leão, saudei os tantos outros convivas e, à porta, recebi os abraços da anfitriã. Segurando as minhas duas mãos entre as dela, olhou-me sobranceira, como convém a todos os sábios e segregou no meu ouvido:

- Gê, a nobreza nos orienta que cedamos nosso espaço a qualquer convidado... e fez pausa. Olhou-me depois, novamente, na alma e admoestou:

- A nossa divindade nos permite que escolhamos nossos convidados. Concluiu sábia e reticente.

Ainda agora não sei se agradeço a você, Bill Berry, ou à Lua, porque somos os três – você, a Lua e eu, a mesma essência.

domingo, 28 de março de 2010

A mesma e enfadonha lição...ora mais compreendida

Por que, eu lhe pergunto com ênfase, você insiste reiteradamente, repetidamente e regularmente dar-me provas da grande lição que já aprendi. outrora, com você - que toda ortodoxia é hipócrita?

Eu já não vejo mais a sua ortodoxia como fator de engano: a sua hipocrisia já é por demais conhecida minha. Já sei esta lição de cor e salteado.

E por que, então, a cada estação, você acenar com a sua falácia e depois, emitir o mesmo golpe, se nem mesmo roupagem diferente lhe acrescenta?

Fico, como sempre, me fazendo perguntas e respostas cada vez mais aranhas tecedeiras que traçam viscos na minha alma com suas nervuras finas e suas teias... assombro de saber tanto, de tanto apalpar a solidez da sua veladura mentirosa e ver-me, a cada volta de cada esquina, de novo à sua frente que insiste, algoz, em me fazer lembrar a lição.

Tenho errado no exercício da lição? – sim, porque muito diferente de você e seus comparsas e seus discípulos e toda sorte de hipócritas onde você se aninha e, simultâneo os aninha, as lições me servem para um exercício diário da prática do que o bojo da lição me apresenta. (Para você e toda a sua comitiva, basta repetir o enunciado dela... e pronto! Já basta para impressionar os medíocres e miseráveis seres que se alojam nas tão pretensiosas comunidades, tradições, confrarias e toda sorte de mesmice... o quanta species sed cerebrum non habet!

Tento uma pausa nesse burburinho onde se agita o meu espírito libertário. Esforço-me. Insisto!

Preciso encontrar uma razão para a insistência pleonástica desse mestre em se apresentar repetindo a mesma lição, de vez em vez regulares, ou dar fim, de vez única, a esse vazio anímico que é esse mesmo mestre.

...

Sim! Sim, Mestre! encontrei... Abençoado seja pelas armas infalíveis de Kali – aquela que tanto é entoada e, simultâneo, tão desautorizada! Abençoado seja pelas flechas certeiras de Arjuna!

Rendo-me agora, alma quebrantada, quando entendo que a repetição enfadonha da mesma e única lição serve a um objetivo imenso e plano: eu passar a nunca mais, eternamente, me permitir acreditar em nenhuma mais textura, cor, brilho falso, ou a permanência indelével da sua máscara!

Namastê ao seu demônio, aquele o mantém tão amedrontrado!


"Tudo te é lícito, mas nem tudo te convém"... a máscara?